segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A breve história do bairro do Tambor.

Estamos iniciando nesse inicio de ano alguns projetos que estavam em mente para serem realizados.
Um desses será o registro das memórias daquelas pessoas mais antigas do bairro para que possamos ter uma breve história do Tambor. Já foram cogitados alguns dos nomes que receberão a proposta para serem entrevistados.
Com isso seremos um dos bairros de Campina Grande que possuem sua história escrita. A proposta é transformar as mémorias sobre o bairro em um material disponivel a todas as pessoas que se interessarem em conhecer melhor como surgiram as primeiras casas, as construções que intencificaram o povoamente, as estórias misteriosas do bairro, como os lobisomens que andavam em volta assustando muitos moradores, etc.
Vamos da inicio às em entrevistas muito em breve. Existe também a proposta de ser feito um documentário durante as entrevistas que seria nesse caso mais um registro documental dos mais antigos que a partir disso irão se identificar com a história do bairro contada por eles.

Multiculturalismo na Educação: PCN’s e as “Diretrizes para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”.

Autor: Williams Lima Cabral.

Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Resumo.

Este trabalho pretende discutir o multiculturalismo, como ele surgiu e em que circunstância, quais os autores que tratam desse tema, e com isso levá-lo para o campo da educação, como os PCN’s vem tratando essa questão, os cuidados que eles devem ter com os conceitos de cultura, sabendo que os textos que encontraremos nesses documentos não permitem uma idéia unívoca do assunto. Fazemos uso de autores como a Marta Abreu e Hebe Mattos que discutem essa questão nos mostrando que os PCN’s foram textos que antecederam as “diretrizes para o ensino de história e cultura afro-brasileira” reconhecendo que para isso foi mister e louvável a luta do movimento negro. Analisando se atualmente os formadores de professores de história ensinam “na” e “para” uma perspectiva multicultural. Tendo como base a consciência das dificuldades que a educação no país sofre, perspectiva de como usar o currículo para inserir, abordar e discutir a história daqueles que possuem uma história marcada pela opressão e injustiça a exemplo da História afro-brasileira e africana. Defendendo argumentos que propiciem uma identidade individual/coletiva nesse contexto multicultural, no qual a escola é o lugar indicado para essas discussões. Abordando também as idéias expostas no artigo intitulado “Formação de professores/as e ensino de história: a perspectiva multicultural em debate” das autoras Selva Guimarães Fonseca e Regina Célia do Couto que nos darão apoio às nossas colocações acerca do tema.

Palavras-chaves: Multiculturalismo, educação, PCN’s.

O multiculturalismo surge em território estadunidense não apenas como forma de luta da cultura negra mais como bandeira de luta de outras “minorias” e como abordagem curricular contrária a todo forma de discriminação, de preconceito ou qualquer outro modo de oprimir a cultura do “outro”. A busca inicial era pela superação do racismo e por direitos civis. Os precursores do Multiculturalismo foram professores doutores afro-descendentes, docentes universitários da área universitária que trouxeram por meio de seus trabalhos questões sociais, culturais, política, etc. São alguns deles George W. Williams, Carter G. Woodson, W.E.B. Dubois, Charles H. Wesley, St. Claire Drake. Estes baseavam-se em argumentos científicos para promover entre populações segregadas a buscar por direitos iguais. O multiculturalismo é também uma estratégia política de reconhecimento e representação da diversidade cultural existentes nas escolas e não se pode entendê-la dissociada às lutas de grupos que tem suas culturas oprimidas.

Para discutirmos multiculturalismo na educação hoje devemos nos ater a questão do processo de globalização e neoliberalismo que vivemos, os quais divulgam um padrão de cultura, de modo de ser que impede os indivíduos de exercerem aquela cultura na qual estes fazem parte. Pensar como a educação lida com isso é questão primordial para o aperfeiçoamento tanto do profissional como do entendimento deste caminho. Essa concepção e experiência pedagógica surgiram nos Estados Unidos no inicio do século XX, justamente inicio do processo de globalização, percebido na época pelo filosofo Theodor Adorno. Foi exportada para a Europa com a intenção de enfrentar as questões econômicas, políticas, religiosas, etc. que circundavam não só estes territórios, mas vários outros que estavam a ser cooptados pela globalização.

Diante disso devemos perceber nosso quadro atual, marcado pela revitalização do capitalismo no qual existe um processo de universalização do capital e o crescente aumento dos intercâmbios culturais, que se tornou uma prática também cooptada pelo capital se vermos o enquadramento dos passeios turístico por locais que para esses o diferente é exótico, é atração turística, em um processo de verdadeira “safarização” do homem pelo homem. Sobre isso Valente argumenta (1999): “Aceitar as diferenças e enriquecer-se com elas continua a ser um problema que hoje ninguém sabe resolver porque supõe o reconhecimento da alteridade”.

A globalização faz com que surja aqueles grupos que se sentem sufocados e que lutam pelo reconhecimento e respeito pelas suas culturas e pelos seus costumes, algumas vezes fazendo surgir conflitos e revoltas geradas por conta disso. Saber tratar o multiculturalismo na educação como meio de se ter nas salas de aula maior aceitação das diferenças é um ponto primordial para a preparação de educadores que terão consciência do quadro social, econômico, cultural, religioso e estrutural que ele encontrará nas salas de aula a fora. Discutir como tratar, por exemplo, de histórias de sociedades nos livros que trazem abordagem de cunho altamente preconceituosa, não altera e que impõe uma cultura uniforme em um contexto multicultural, esse é um dos desafios do professor nesse contexto da educação.

Nessa fase de questionamentos podemos nos deparar com a situação em que se encontram os PCN’s, será que estes documentos estão sendo avaliados ou até mesmo sendo criados da maneira a se perguntar sobre tais questões multiculturais, pois em um país onde a diversidade cultural é inerente ao seu povo, a diversidade deve ser respeitada em detrimento de uma cultura globalizante que uniformiza as sociedades e depressa os diferentes. Os professores irão ter pela frente a função de lidar com a diversidade dos estudantes bem como com essa cultura capitalista que degenera e deixa no esquecimento conceitos importantes para o convívio social como o conceito de alteridade e até mesmo o de diversidade.

No artigo intitulado “Formação de professores/as e ensino de história: a perspectiva multicultural em debate” de Selva Guimarães Fonseca e Regina Célia do Couto levantam estas questões baseadas na formação dos professores e analisam os parâmetros curriculares no ensino de História no país, perguntam-se ainda se as instituições formadores de tais professores trabalham com a pluralidade cultural e outra pergunta levantada é se os formadores de professores de história formam “na” e “para” uma perspectiva multicultural.

Para Fonseca a formação dos professores a partir de uma perspectiva multicultural acarreta uma mudança de postura e também pedagógica no decorrer de sua experiência enquanto docente. Citando McLaren a autora afirma que assumir uma postura multiculturalista é “compreender a representação de raça, classe e gênero como resultado de lutas sociais mais sobre signos e significações”. Ainda baseado neste autor Fonseca e Couto discutem as diferenças como sendo uma construção histórica, como um produto histórico, “é sempre o produto da história, cultura, poder e ideologia. A diferença ocorre entre dois grupos e deve ser compreendida em termos das especificidades de sua produção”. Para a obtenção de uma transformação social segundo as autoras, é preciso ter em mãos o multiculturalismo crítico, que viria a desmantelar o projeto hegemônico que rege a sociedade, projeto esse que vê a diversidade como uma mescla de culturas, mas cada uma com seus significados particulares. Para haver de fato uma mudança é necessário transformar as relações sociais, institucionais que criam os significados pondo a cultura como algo homogêneo.

Aquilo que para Mclaren se constitui como sendo “a questão urgente do novo milênio”, justamente a pluralidade etno-cultural e a necessária política de justiça universal, foram abordadas em 1999 na reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (ANPEd), questões que ficaram explicitas no titulo do evento, a questão da diversidade e da desigualdade, indicando esta como o principal desafio da educação na fronteira do século. Essa problemática tem sido abordada numa visão do Multiculturalismo em espaços nos quais, a formação docente vem crescendo e sendo discutida e negociada de modo intenso. Conforme Ana Canen pesquisadora do PROEDES(UFRJ) que trabalha com as teses e dissertações sobre o que dizem estes trabalhos acerca do multiculturalismo na educação, ela cita vários autores que trabalham com esta temática, a exemplo de Lopes (1999), Moreira (1999) e Silva (1999), estudos que vem tencionando o campo do currículo, trazendo novos olhares e valorização de identidades culturais que estavam, se não já, apagadas ou negadas dos componentes curriculares monoculturais (Eurocêntrico). A pesquisa da Ana Conen vem levantar a emergência de se discutir o multiculturalismo na educação e começando no principio, ou seja, na formação do corpo docente e na construção do currículo, ela tem como base as teses e dissertações elaboradas em 1981 a 1998, encontrados no CD Rom da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação.

A educação em nosso país sofre com dificuldades diversas, o currículo deve ser pensado de acordo com as necessidades vigentes, de analisar quais as melhores formas de tratar a sua diversidade cultural, mas a deficiência nos currículos é um problema isolado e interno, existem problemas maiores e que externamente são mais conhecidos. A começar pela estrutura física que na maioria das vezes não oferece conforto e segurança para os estudantes, um quesito que também se envolve com o multiculturalismo na educação são as leis das cotas raciais e universais que dividem opiniões e que trazem à tona a deficiência de pessoas pobres e negras conseguirem ingressar em uma universidade publica. Sabemos que tudo se relaciona com o processo da história que existiu em nosso país, o qual excluiu e ainda o faz, o negro, índio, ciganos, pessoas pobres no geral que se vêem afastados da educação como se isso fosse natural, algo que se configura em uma questão de educação de base, pois como os professores não trabalham muito a história cultural desses povos de forma a “normalizar” seus costumes e suas crenças, fazendo com que o problema fosse amenizado, se não existir um incentivo maior por parte dos professores e do estado nessa empreitada? A formação de um corpo docente capaz de levantar tais questões e discuti-la em seu cotidiano, porque aquilo que faz com que culturas outras sejam excluídas do processo educacional, social, econômico, etc. age cotidianamente.

Defendemos argumentos que propiciem um reconhecimento identitário individual em um meio onde se é possível encontrar um multiculturalismo, na construção das diferenças e valorização e ampla discussão de alteridade, fundamental para o respeito e convívio recíproco. E o local onde estas discussões devem ser efetivadas é justamente nas escolas, devem ser sempre lembradas nas salas de professores, devem ser registradas nos documentos curriculares e estampada em cartazes por todos as escolas, sejam elas particulares ou publicas.

Algo que como já mencionamos é tarefa árdua, pois na realidade as diferenças que são pautadas pela sociedade são as que tem como pontos as desigualdades, e a noção de superior x inferior, é uma diversidade forjada na hipocrisia social que segue um padrão estabelecido e todos outros existentes são colocados como exótico, do mal, a diferença é tratada como se isso fosse uma anormalidade incoerente, que, por exemplo, a existência de monoteístas e politeístas convivendo em espaços iguais, mas que aqueles que crêem em um único Deus, insistem em julgar os deuses de outras pessoas como maligno, ou apregoando adjetivos negativos com o objetivo de depreciar a cultura do outro.

Essas discussões acerca das dificuldades encontradas na questão multicultural na educação são difíceis de serem discutidas, pois a diversidade de costumes, tradições, culturas entre outros vários aspectos sociais, não recebem à atenção devida, em um universo onde o igual é divulgado como sendo o normal, o aceitável faz com outras culturas sejam “sufocadas” E é dessa forma que esta polemica questão é abordada, parece fácil, entretanto é deveras complexa, uma possível solução que vamos encontrar a médio e curto prazo vai ser pautada em diálogos constantes e exaustivos, nos quais com certeza irão surgi as diferenças impostas pelo sistema e a tentativa de hegemonia desse, leia-se a identidade “eurocentrícanorteamericananizada”, cristocentrica, capitalista e preconceituosa, é preciso está atento e forte para que não haja de fato o reconhecimento de tal pensamento, que seja respeitada de fato e de lei o multiculturalismo na educação como forma até de buscar o diálogo com os estudantes, discutir como diversos grupos foram construídos e que as diferenças também são socialmente construídas . Não é algo utópico estas questões, pois sabemos que a partir do momento que conseguimos aceitar o outro inicialmente nas salas de aula como ele é, alteramente, veremos que a tolerância o respeito e valores até então quase que esquecidos coletivamente irão surgir de forma efetiva

O ensino de história que trate de questões relativas às diversas sociedades e suas culturas tem um papel quase que de responsabilidade com a educação de estudantes diversificados. Paiva analisa da seguinte forma: “A idéia de uma história estática, factual, que parou no tempo e deve ser decorada, é muito contrária à dinâmica do mundo hoje. Formar professores de História na perspectiva multicultural, da forma como eu entendo, é, exatamente, formar profissionais gabaritados, competentes para fazer com que outras tantas milhares de pessoas, de estudantes, possam realmente compartilhar do mundo, no qual ele se insere, no mundo que eles constroem”. ( Paiva: UFMG).

A perspectiva multicultural na educação é primordial para que tenhamos crianças, jovens e adultos capazes que ver no outro a diferença a ser respeitada, reconhecer que existe uma variedade de pensamentos que podem ser ou não convergentes mas que mesmo assim convivem no mesmo território, na mesma escola ou bairro e que a comunicação entre essas diferenças é que traz o enriquecimento cultural, intelectual, e ocorre um melhoramento no caráter que é construído por este respeito que sempre deve ser mútuo.

Referências bibliográficas.

BOTLER, alice happ. In: Educação, multiculturalismo e ética.

CANEN, ana, ARBACHE, ana paula, FRANCO, monique. In: Pesquisando multiculralismo e educação: o que dizem dissertações e teses.

FONSECA, guimarães selva. COUTO, regina célia. In: Formação de professores/as e ensino de história: a perspectiva multicultural em debate.

SILVA, maria de albuquerque da, BRANDIM, maria rejane lima. In: Multiculturalismo e educação: em defesa da diversidade cultural.

COMUNIDADE REMANESCENTE QUILOMBOLA DO GRILO: “IDENTIDADES E POLÍTICAS SOCIAIS”.


Autor: Williams Lima Cabral - UEPB

(co) Autora: Maria Regina Alves dos Reis - UEPB

Orientadora: Dra.Maria Lindaci Gomes de Sousa

Nossa pesquisa se volta para as memórias, identidades, práticas e modos de fazer dos Remanescentes Quilombolas do Grilo, que se localiza na zona rural do Município de Serra Redonda-PB. Iremos apresentar os resultados parciais obtidos com as entrevistas e nossas experiências adquiridas com nossas visitas. Vamos enfatizar nesse trabalho a questão das identidades das pessoas da comunidade e analisar as políticas sociais voltadas para a população negra, como o Eixo 6 (seis) dos objetivos do Plano Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial- PLANAPIR que se refere as Comunidades Remanescentes de Quilombos, dos quais no tópico I dá a garantia de: promover o desenvolvimento econômico sustentável das comunidades remanescentes de quilombos, inserido-as no potencial produtivo nacional, no II: promover a titulação das terras das comunidades remanescentes de quilombos em todo o País, e ainda destacando outro tópico desse eixo daremos ênfase ao VI no qual fica exposto a garantia de: promover a identificação e levantamento socioeconômico de todas as comunidades remanescentes de quilombos do Brasil. Vamos fazer uso de autores como Michel de Certeau, para analisar quais as estratégias e táticas são usadas no cotidiano da comunidade, iremos trabalhar as memórias fazendo uso de Le Goff, Maurice Halbwachs para discutirmos a memória individual e coletiva e faremos uso de Stuart Hall e ver quais identidades são ditas e construídas a partir das falas coletadas pelas entrevistas.

Palavras-chave: remanescente quilombola, identidade, políticas publicas.

Os Quilombos eram uma das formas de resistência do negro escravizado, havia diversos outros modos de ir contra a escravidão, como a guerrilha, insurreições urbanas, as fugas em massa, etc. (Moura p10). Os senhores criavam estratégias diversas para justificar essa dominação, eles tinham que cristalizar a idéia de que o negro estava abaixo de suas vontades, uma dessas formas era a de afirmar a inferioridade da população negra, divulgar esse ideal em detrimento da liberdade de indivíduos que possuíam famílias, costumes e tradições antes de ser capturado covardemente e ser transformado em objeto de mercadoria, ser escravizado.

Porém, ao ser forçado ao trabalho escravo, o negro resistiu, lutou, e negou esse regime opressor, através do assassínio dos senhores, dos feitores, dos capitães-do-mato, o suicídio, as fugas individuais, (Moura, p 13-14), a formação de quilombos era outra tática usada por eles.

Clovis Moura em seu livro Quilombo: Resistência ao escravismo, nos da definição acerca do que vem a ser quilombo, ele cita a definição dada pelo rei de Portugal datada de 2 de Dezembro de 1740: “toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem filões neles”. Logo qualquer agrupamento de negros fugidos já se constituía um quilombo, um modo de resistência contra o sistema vigente. Este autor cita o historiador Josemir Camilo de Melo para expor o grau de organização que esses agrupamentos alcançaram: “os quilombos haviam chegado a um nível de organização ponderável, pondo em pânico os senhores que usavam de todos os recursos para exterminá-los”. Porém os esforços para o extermínio dos quilombos não obtiveram total êxito. Ilka Boaventura em seu artigo intitulado “Os quilombos no Brasil: questões conceituais e normativas” deixa claro a persistência dos quilombos em território nacional:

“O quilombo constitui questão relevante desde os primeiros focos de resistência dos africanos ao escravismo colonial, reaparece no Brasil / republica com a Frente Negra Brasileira (1930/40) e retorna à cena política no final dos anos 70, durante a redemocratização do país. Trata-se, portanto, de uma questão persistente, tendo na atualidade importante dimensão de luta dos afro-decendentes.” ( Boaventura. P.1)

Essa autora faz uma relação do aspecto das lutas pelas terras dos índios e dos afro-descendente e nos mostra que nos últimos vinte anos essas populações lutam por suas terras, muitas vezes auxiliadas por associações, e essa luta não se restringe apenas ao espaço onde vivem, mas também ao respeito às suas crenças, costumes e práticas que historicamente sofre com idéias de que esses costumes e crenças são algo negativo seja do ponto de vista social como espiritual o que acarreta atualmente nos vários tipos de preconceitos e discriminações.

Almeida (1999) Em seu livro “Os quilombos e as novas etnias” faz uma crítica ao conceito de quilombo exposto pelo rei de Portugal, ele destaca pontos que desconstroi o conceito dado anteriormente, este autor percebe cinco pontos: “a fuga, o número mínimo de fugidos, o isolamento geográfico, em locais de difícil acesso e mais próximos de uma “natureza selvagem” que da civilização”. Ele nos da um exemplo do quilombo Frechal no Maranhão, o qual se localizava a cem metros da casagrande e casos no qual o quilombo era na própria senzala, Almeida expõe a relação existente entre os aquilombados e os comerciantes, colocando-o na economia interna de sua localidade, a negociação era por produtos que era cultivado nos quilombos e que o comercio necessitava. Essa idéia colocada por Almeida nos mostra que os quilombos não se encontravam no total isolamento, ou apenas em áreas distantes, mas que os negros estavam inclusos nas relações comerciais e em diversas outras.

A serem encontradas comunidades rurais negras, em locais onde havia registros de quilombos é elaborada pelo movimento negro políticas que auxiliam estas populações que agora são chamadas de remanescentes quilombolas.

Pensar nos remanescentes quilombolas é ter a idéia de que práticas de resistência, manutenção, reprodução de seus modos de vida podem ser encontrados em determinado lugar, sendo essas características mantenedoras da identidade desse povo, “... o quilombo, então, na atualidade, significa para esta parcela da sociedade brasileira, sobretudo um direito a ser reconhecido e não propriamente um passado a ser rememorado.” (Boaventura). O passado é rememorado para ser usado como resistência hoje, para termos apoio das lutas e injustiças sofridas pela população negra rural, fazer leituras sobre as vivências quilombolas e tê-las como uma forma de resistência é ter em mente que os remanescentes ainda resistem e lutam, mas agora a luta é pelo reconhecimento de sua identidade e pela posse definitiva de seu território.

Os remanescentes segundo Arruti são sujeitos que foram diferenciados politicamente pelo termo “quilombola” e que surgi quando o artigo 68(ato dos dispositivos constitucionais transitórios/ constituição de 1988) vem reconhecer aos “remanescentes das comunidades de quilombola a propriedade definitiva das terras que estejam ocupadas, assim como a obrigação do estado em emitir-lhes os títulos respectivos.” Nesse caso o direito cria o sujeito que agora reivindicará suas terras e sua cultura, surgi à categoria sociológica e política reunida no remanescente quilombola (Arruti, 2005). Esse autor ainda fala sobre o reconhecimento da luta do povo negro pela liberdade, e comenta que ela foi conquistada e não consentida, que a abolição não alterou de fato a condição da população negra no Brasil, e como é sabido, esse povo permanece excluído dos mais elementares direitos do cidadão. Daí vem a “luta” do movimento negro de trazer a tona o 20 de novembro e não o 13 de maio como data comemorativa do povo negro e o Quilombo de Palmares e seu líder Zumbi como figuras simbólicas dessa data. E assim a questão do Quilombo ganha por Oliveira Viana à classificação de um dos três grandes inimigos da ordem pública, ao lado dos índios selvagens e dos grandes potentados (VIANA, 1973, p.167). Os remanescentes quilombolas vão representar a persistência da vontade de liberdade, e agora em se tratando de remanescentes, o que está em jogo é a manutenção de um território como reconhecimento de um processo histórico de espoliação (ARRUTI, 2005, p 82).

Sobre o efeito que o artigo 68 provou em algumas comunidades negras rurais, José Maurício Arruti faz uma citação contundente:

Então, é difícil encontrarmos uma comunidade que diga ‘ eu sou quilombola’. Só quando há autoconhecimento, autodiscussão com o movimento negro, quando há um trabalho de base - aí você vai encontrar. Mas numa comunidade que nunca foi visitada, que seja pouco acessível ou pouco conhecida jamais vai dizer que lá é um quilombo [...]

Eu digo que sou quilombola porque é resultado de um trabalho do movimento negro, com pesquisas e documentos, Conseguimos documentos desde 1792 e eles explicam para a gente que naquela época existiam quilombos naquelas localidades, vimos, então, que ali existiu um quilombo, porque eu não acredito que naquela época todos nós fôssemos do fazendeiro, alquém era revolucionário e a minha família era revolucionária porque eu sou revolucionário, então por isso eu sou um quilombola. (ARRUTI, 2005, p.83)

São várias as definições dadas ao termo “quilombo” e nesse campo se instaura o debate para definir o que vem a ser remanescente quilombola, o artigo 68 serviu para incentivar principalmente a academia para pesquisar, analisar e mapear os quilombos e remanescentes em cada estado do país foi um passo importante para a valorização do povo negro e de reconhecimento de sua cultura.

José Jorge de Carvalho no artigo: “Quilombos: Símbolo da luta pela terra e pela liberdade” cita que o Brasil parece ser o único país afro-americano que ainda não resolveu, sequer formalmente, a questão dos direitos territoriais de suas comunidade negras. Ele avalia que em outros países onde existiu escravidão, os ex-escravos tiveram a mínima atenção com os escravos, diferente do Brasil, na Jamaica, Colômbia, Cuba e Suriname, por exemplo, Carvalho menciona que os libertos tomaram posse das terras nas quais edificaram seus quilombos antes da escravatura. No caso brasileiro com a Lei de Terras de 1850, escravos, mulatos, alforriados entre outros estavam excluídos do programa que determinava a quem pertenciam as terras no país, ainda após a abolição os negros não receberam qualquer auxilio do estado como indenização ou alguma terra para ele trabalhar. O que se viu foi o incentivo demasiado para a vinda de estrangeiros ao país como política de embranquecimento da população em uma atitude altamente racista que colocou o povo negro nos lugares mais íngremes e de difícil acesso, as favelas e as comunidades rurais negras são exemplos das ações estatais. Ilka Boaventura e Maria Lurdes Bandeira nos trazem argumentos para expor a “invisibilidade expropriadora”, Bandeira Lurdes expõe essa idéia para defender que o branco alienava o negro para no sentido de lhe privar de seus direitos sobre a terra. (1988). Boaventura concorda: “esquecidos pelas políticas publicas e pelas pesquisas científicas... ou porque foram invisibilizados pelas várias formas de representação literária e política ou porque segregados social e espacialmente, de modo a serem tratados como não existem.” (1966:9). Jorge Carvalho sustenta que nos quilombos brasileiros tornar-se invisível, tratava-se de uma tática política, uma atitude afirmativa que garantia aos negros, além da sobrevivência um caminho para a tomada de consciência.

Os remanescentes quilombolas, nas suas “invisíveis" localidades estão conseguindo ser vitoriosos, além da importante vitória jurídica pela legalização de suas terras é o fato de poderem ter sob estudos e pesquisas acadêmicas, histórias de seus costumes e tradições que rememoradas pelos próprios remanescentes quilombolas. Para termos idéia da preservação desses costumes e outros aspectos de comunidades negras rurais, iremos visitar as história dos remanescentes do Grilo.

A comunidade remanescente quilombola do Grilo, se localiza no município de Riachão do Bacamarte - PB. A partir do primeiro contato percebemos a facilidade de obtermos entrevistas com as pessoas mais velhas, a receptividade foi muito agradável e as informações fluíram, conseguimos chegar às casas afastadas com a ajuda da líder comunitária, chamada carinhosamente por “Pakinha”, os moradores mais antigos nos receberam e concordaram em ceder entrevistas e informações acerca do passado daquela comunidade. Tendo em vista a distancia de algumas casas as crianças da comunidade nos ajudaram a alcançá-las. Através da observação em loco, percebemos as dificuldades: água, infra-estrutura, fator econômico, locomoção até a comunidade, entre outras. Nas cozinhas impera dois mundos, um que é usado fogão de lenha e em outras casas fogão “moderno”. Foram mostrados os quintais das casas, terreiros e suas criações, os quilombolas dispuseram seu tempo para falar conosco acerca do cotidiano e de suas memórias, fomos recebidos de forma amigável e respeitosa, o primeiro contato nos deu a oportunidade de conhecer de modo inicial suas histórias e seus limites territoriais.

Controvérsias acerca do nome da comunidade surgiram, segundo seu Pereira a origem do nome comunidade do Grilo, decorre de um poço que as pessoas antigamente vinham buscar água em latas e que ao redor deste poço existiam vários grilos cantando. Daí deu-se o nome comunidade do Grilo, porque as pessoas iam buscar água “lá no grilo”. (Seu Pereira, em entrevista). A controvérsia é acerca do local onde se encontrava este poço, foram nos mostrado dois locais relativamente próximos, mas os depoimentos acerca da origem do nome comunidade do Grilo convergem.

Numa área muito afastada das cidades, sendo muito difícil chegar até a comunidade, fica no alto de uma serra e a estrada é de terra e muito estreita, o que torna o transporte ida/vinda complicado. Sinal de que essas pessoas continuam afastadas de certa forma da sociedade urbana, pois poucos deles necessitam de ir à cidade, plantam, trabalham e mantêm sua cultura baseadas em táticas de sobrevivência que perpassam de geração a geração garantindo a permanência de suas identidades Quilombolas. As pessoas da Comunidade são muito receptivas e simpáticas, nos ajudam a encontrar as pessoas mais antigas para entrevistas e nos ajudam a chegar a suas casas que ficam sempre uma distante da outra, temos que subir e descer rochedos, as pessoas nos recebem com muito carinho se disponibilizando a realizar a entrevista sem nada em troca, e além de falarem sobre suas vidas, indicam outras/os idosas/os para falarem aquilo que eles não tem certeza. Existem vários aspectos preservados dos costumes de seus entes mais antigos e antepassados que estão sendo percebidos por nós nesse inicio de pesquisa.

Para as comunidades remanescentes de Quilombos, assim como para o povo negro foram criados políticas que favorecem a preservação desses povos, são encontrados no PLANAPIR.

As políticas públicas que estabelecem os deveres do estado para com as populações discriminadas e marginalizadas da sociedade brasileira estão reunidas no documento intitulado Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial – PLANAPIR. Elaborado pela secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR. Com base nas propostas aprovadas na 1ª Conferencia Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CONAPIR, com base nas políticas do governo federal que combatem as discriminações raciais e que buscam promover a redução das desigualdades sociais. O PLANAPIR surgiu de decreto de 8 de Novembro de 2005 que instituiu o grupo de trabalho interministerial formado por 15 órgãos do poder executivo e um representante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR.

O Plano vai indicar ao governo metas e objetivos a serem perseguidos para a superação das injustiças raciais existentes no país através de ações afirmativas. Nas suas proposições são consideradas as ações da sociedade civil que estão envolvidos nessa enorme luta para superar as iniqüidades cometidas contra grupos étnicos em nosso país.

Na fala do presidente Inácio Luiz Lula da Silva, em mensagem de apresentação do Plano, ele fala a população negra e sobre o PLANAPIR:

O Brasil é a segunda maior nação negra do mundo. Nossos milhões de negros e negras estão cada vez mais conscientes e orgulhosos de suas origens. No entanto, sobre esta população ainda pesa a herança da escravidão e de um longo período de invisibilidade, que traduz em preconceito, discriminação e exclusão social. (...) Nesse sentido surgi o PLANAPIR (...) que indica ao estado as prioridades para superar as desigualdades raciais existentes no Brasil, por meio da adoção de políticas de ações afirmativas, associadas às políticas universais. ( PLANAPIR, p7 – 8.)

Na apresentação do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, expõe o contexto histórico de injustiças que o negro passa. O ministro cita a luta do movimento social negro para denunciar a existência do racismo e da discriminação racial que apenas foi “percebido” em 1995 quando o governo enxergou o problema e inseriu nas ações políticas a questão racial.

Em um contexto internacional essas políticas vem atender ao compromisso firmado pelo Brasil na conferencia de Durbam na África do Sul, que discutiu as questões referentes à eliminação de todos as formas de discriminação, contra o racismo, xenofobia e as formas correlatas de Intolerância.

Com relação aos objetivos do Plano Nacional de Política de Promoção da Igualdade Racial, constam 12 (doze) eixos eu expõe esse objetivos: eixo 1: trabalho e desenvolvimento econômico; eixo 2: educação; eixo 3: saúde; eixo 4 diversidade cultural; eixo 5: direitos humanos e segurança pública; eixo 6: comunidades remanescentes de quilombo; eixo 7: povos indígenas; eixo 8: comunidades tradicionais de terreiro; eixo 9: política internacional; eixo 10: desenvolvimento social e segurança alimentar; eixo 11: infra-estrutura; eixo 12: juventude. Iremos fazer usos dos eixos 2, 4 e 6 que tratam respectivamente de educação, diversidade cultural e comunidades remanescentes de quilombos.

No eixo inicial referente à educação, no inciso II é estabelecido a “formação de professores e profissionais da educação nas áreas temáticas definidas nas diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro - brasileira, africana e indígena.” O documento reconhece a necessidade da formção de professores para uma educação que valorize os diferentes povos e que siga a lei 10.639/2003 e outras que determinam a abertura da educação dando ênfase à cultura Afro – brasileira e Africana e indígena. No inciso VIII fala-se sobre “estimular maior articulação entre a instituição universitária e as comunidades tradicionais, proporcionando troca de saberes, de práticas e de experiência.”

Tratando do eixo 4 da diversidade cultural, no inciso II estabelece “estimular a eliminação da veiculação de estereotipo de gênero , raça, cor e etnia nos meios de comunicação.”no III – “fomentar as manifestações culturais dos diversos grupos étnicos – raciais brasileiros e ampliar sua visibilidade na mídia. No eixo 6 que trata das comunidades remanescentes quilombolas, cujo trabalho é referente, destacamos o inciso III – “promover a titulação das terras das comunidades remanescentes de quilombos em todo o país.” Partindo para o IV – “promover a proteção das terras das comunidades remanescentes de quilombos e no VII- “estimular estudos e pesquisas voltados às manifestações culturais de comunidades remanescentes de quilombos.”

Tendo essas questões como base poderemos verificar que as políticas públicas estabelecidas pelo PLANAPIR garantem ações que se cumpridas de fato dão direitos e ampliam as expectativas dessas populações de serem reconhecidas e valorizadas. Nós da Universidade Estadual da Paraíba – campus I – Campina Grande, desenvolvemos diversos trabalhos junto às comunidades remanescentes quilombolas, que estão em concordância com os eixos objetivos do PLANAPIR.

Referência:

  • Arruti, José Maurício. Mocambo: antropologia e história do processo de formação quilombola / José Maurício Paiva Andion Arruti. Bauru, SP: Edusc, 2006. 370 p.

  • Amado, Janaina e Ferreira, Marieta de Moraes. Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro, RJ. Editora FGV, 2000. 30 p.

  • François, Etienne. A fecundida da história oral. In: Amado, Janaina e Ferreira, Marieta de Moraes. Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro, RJ. Editora FGV, 2000. p 3 – 15.

  • Moura, Clóvis. Quilombos: Resistência ao escravismo. São Paulo. Editora Ática. 1987. p 92.

  • Alberti, Verena. Manual de história oral. Rio de Janeiro. Editora FVG. 2005. 236p.

  • Plano Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – PLANAPIR, Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, Governo Federal. Brasília, 2009. p 7 – 125.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

7ª Bienal da UNE

De 18 a 23 de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro ocorrerá a 7ª Bienal da UNe, O evento espera unir mais de 10 mil estudantes de todo país. Serão várias as atrações em variados locais da cidade. O CUCA Campina Grande levará a peça teatral " Fronteiras: o dia em que o boi enfrentou o papangu", a banda sex on the beach também foi selecionada para participar do evento e deverá viajar com a caravana CUCA-CG.
Da Rainha da Borborema saíra algumas das atividades que são parceiras do CUCA como a Nação hip hop e alguns dos integrantes do Maracagrande, o batuque que vai mostra para os cariocas o côco da Paraíba. Campina Grande será muito bem representada nesse evento.
A caravana está previsto para sair dia 15 de Janeiro e chega dia 28 desse mês.

2011


A biblioteca está com quase 1 ano de existência e já viveu muitas coisas. Desde obstáculos a incentivos maiores. No início todos(a) estavam dispostos para ajudar, a ideia era nova, muita gente envolvida, imprensa, pessoas da Universidade, artistas e outras pessoas. Muitos ainda continuam com força para colocar a ideia pra frente. Mas nesses meses de vida da biblioteca o que ela sofreu mais foi com o desprezo daquelas pessoas que não acreditam na ideia e mais ainda, não acreditam que a comunidade não gosta da leitura. Na associação de moradores do Tambor, uma das dirigentes já chegou a afirmar: " Isso é perdido, o povo do tambor não gosta de ler não", confesso que ouvindo isso, a biblioteca sentiu-se desmotivada, porém existiam aqueles que valorizavam (e valorizam) a iniciativa e já diziam: " Isso é muito importante pro bairro de vocês, coloca esse ideia pra frente que da certo".

Por uma questão de lógica e bom senso, acreditamos mais no pensamento daqueles que gostam da ideia. Dificuldades são visíveis, os obstáculos é o que todos nos oferecem, entretanto quando alguns sabem que existe essa biblioteca, ali "escondida" em um dos quartos de uma casa no bairro, indicam que o futuro será prospero para os moradores do Tambor por ajuda dos livros . A Universidade Estadual da Paraíba, através de sua Editora convidou a biblioteca à participar do encontro da editora, que ocorreu no mês de Novembro e fez doações de alguns exemplares de autores da EDUEPB, e ficou firmado essa parceria, a BCT ainda conta com o apoio da empresa JSilva do empresário Josimar Silva, o qual fez a doação de estantes para a biblioteca. Em 2011 essas parcerias serão ampliadas e os moradores terão onde ler, estudar, debater e conhecer mais a respeito do próprio bairro na biblioteca comunitária do Tambor.

Esperamos em 2011 sucesso para a Biblioteca, pois esse sucesso será também dos moradores e do bairro em si.


Feliz 2011!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Abaixo-assinado contra o aumento nos salários do presidente da República, ministros e parlamentares. Dezembro/2010

Para:Presidente da República Federativa do Brasil; Congresso Nacional do Brasil; Supremo Tribunal Federal; Câmara dos Deputados; Senado Federal

A Câmara aprovou na tarde desta quarta-feira (15/12/2010) o projeto de decreto legislativo, de autoria da Mesa Diretora da Casa, que equipara os salários de presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, senadores e deputados aos vencimentos recebidos atualmente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal: R$ 26.723,13. A matéria foi aprovada simbolicamente. O texto será imediatamente remetido ao Senado, para tentar votá-lo ainda hoje. Por se tratar de decreto legislativo, o projeto precisa apenas ser aprovado nas duas Casas do Congresso, e não há necessidade da sanção do presidente da República.
Os novos salários entram em vigor a partir de 1º de fevereiro. O impacto financeiro nos dois poderes - Legislativo e Executivo - ainda estão sendo calculados. Mas só na Câmara estima-se que o aumento nos subsídios dos deputados (na ativa e aposentados) será de cerca de R$ 130 milhões.

Atualmente, deputados e senadores têm subsídios de R$ 16,7 mil. Presidente e vice recebem salário mensal de R$ 11,4 mil e ministros de Estado, R$ 10,7 mil. Os reajustes variam de 62% a 140%.

Há ainda o efeito cascata da medida nas assembleias legislativas nos estados, já que a Constituição estabelece que os deputados estaduais devem ter subsídios equivalentes a 95% dos recebidos por deputados federais. Para aumentar os seus salários, os deputados estaduais também terão que aprovar projetos nas respectivas assembleias.

Esse projeto amplia o abismo entre o Parlamento e a sociedade. É advocacia em causa própria. O percentual de 62% para os parlamentares e mais de 130% para presidente e ministros, diante da realidade brasileira, é evidentemente demasia.

Vamos mostrar a indignação do povo brasileiro quanto ao autoritarismo evidente na manipulação do orçamento e dos recursos provenientes de arrecadação de impostos e cofres públicos.

Assinem contra essa injustiça.

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2010N4596
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoAssinar.aspx?pi=P2010N4596


Os signatários

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Convite Especial

A biblioteca comunitária do Tambor, recebeu da Universidade Estadual da Paraíba o convite para participar do Encontro da sua Editora, na ocasião serão expostos os livros e trabalhos feitos pelos escritores apoiados pela editora. O convite foi feito com o objetivo de criar uma aproximação da academia com as comunidades. Foram convidadas outras bibliotecas, como a da vila dos teimosos de Bodogongó. Essas bibliotecas serão presenteadas com livros da editora e também será uma ótima oportunidade de criar esse elo no qual outros projetos futuros podem ser feitos.
A biblioteca comunitária do Tambor conta com a parceria da biblioteca da vila dos teimosos, que tem como responsável o Santo da Terra, acessor da ouvidoria da UEPB. Como ele mesmo diz: "Vamos botar nossas idéias pra frente..." Essa será nossa intenção em 2011, esquecer aquelas pessoas que desacreditaram na proposta da biblioteca e se unir com pessoas que conhecem os nossos problemas, mas que também reconhece que podemos mudar alguma coisa através de iniciativas simples e ao mesmo tempo grandiosas, como é o caso da biblioteca comunitária do Tambor.