sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Câmara de Vereadores de Campina Grande rejeita feriado para o dia 20 de novembro e humilha movimento negro no Dia Nacional da Consciência Negra

 No último dia 8 de novembro o Movimento  Negro de Campina Grande completou 27 anos de luta contra o racismo. Como presente de aniversário, sofremos a maior humilhação da nossa história, tendo em vista que a sessão especial que estava marcada para acontecer no dia 20 de novembro foi cancelada e depois marcada para o dia 27, sem nenhuma justificativa plausível. Agindo como verdadeiros senhores de engenho, os Vereadores da “Casa de Félix Araújo” poderiam ter feito essa sessão logo após a entrega do título de cidadania campinense para a senhora Maria da Penha. Todavia, não foi isso que aconteceu como estava previsto e sendo divulgado no próprio Site e Twitter da Câmara de Vereadores de Campina Grande.
Para ser sincero, não é de hoje, que esse poder legislativo nos trata com desprezo e descaso, visto que já fizemos uma Audiência Pública com apenas dois Vereadores em plenário. Nessa audiência  compareceram o Vereador Tovar Correia Lima e o Ex–vereador Antonio Pereira. Num país em que a raça negra chega a ser mais de 51% da população brasileira era pra ser obrigação política e dever ético para qualquer representante do povo ouvir as reivindicações do movimento negro, até porque, somos nós que estamos sofrendo mais com o desemprego, analfabetismo, falta de moradias, violência policial, etc.
Essa sessão especial tinha sido uma reivindicação minha e lutei  muito para organizar esse momento tão importante na vida de quem luta pela promoção da igualdade racial. Na Câmara de Vereadores estavam presentes o Mestre de capoeira Sabiá, atual Presidente do Conselho de Mestres de Capoeira da Paraíba, os militantes do Movimento Negro de Campina Grande Moisés Alves e Ariosvalber de Sousa Oliveira, além de outras pessoas engajadas na luta pela valorização da cultura afro-brasileira como o Presidente da União dos Capoeiras do Planalto da Borborema Bega Pequeno e do Vice- presidente da UCPB Aldo Batista. Todos à espera de uma sessão especial que não aconteceu por desorganização, incompetência e má fé dos Vereadores.
Não há como negar a verdade dos fatos. O real objetivo de quem organizou a entrega do título de cidadão para Maria da Penha no Dia Nacional da Consciência Negra era desprestigiar e esvaziar a sessão especial, voltada para a valorização dos legítimos representantes dos ideais de Zumbi dos Palmares. Ademais, quando percebi que a Prefeitura de Campina Grande não tinha feito qualquer programação para refletir o Dia Nacional da Consciência Negra junto à população como fez a Prefeitura de João Pessoa em 15 bairros da capital, através de palestras, debates, oficinas e apresentações musicais e culturais com artistas e grupos da cultura afro-brasileira. Logo,  vi que o circo da hipocrisia eurodescendente por aqui estava muito bem armado para humilhar o movimento negro e impedir que a sociedade tomasse consciência das profundas desigualdades raciais no Dia Nacional da Consciência Negra- 20 de novembro.
A Prefeitura Municipal de Campina Grande, por meio de sua Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres já tinha elaborado uma programação para homenagear na Câmara de Vereadores- a biofarmacêutica Maria da Penha, o que considero politicamente correto e mais do que justo para uma cidadã como ela que vive num país onde a cada ano dois milhões de mulheres são vítimas da violência doméstica. O que é inaceitável, na minha visão, foi ter presenciado esse total descaso e desrespeito com uma sessão previamente aprovada pelos próprios Vereadores. Os convites foram feitos e distribuídos para várias escolas como o Colégio Estadual da Prata e Clementino Procópio. Foi assim que, várias entidades foram convocadas para a Câmara de Vereadores na expectativa de nos ouvir. A ASSORAC- Associação Raízes da Cultura foi uma delas.
Todo mundo sabe por aqui que sempre fizemos sessões especiais bastante prestigiadas pelo público. Mas, a politicalha carcomida, covarde e racista dessa cidade, capitaneada pelo grupo político que atualmente domina e chama Campina Grande de “cidade da inovação”, são conhecedores do nosso poder de mobilização popular. Portanto, não tenho a menor dúvida de que o movimento negro foi vítima de um grande golpe baixo e sujo. É que a intenção dos Vereadores em um verdadeiro conluio com a Prefeitura era usar o nosso público para homenagear Maria da Penha e depois cancelar a sessão alusiva ao Dia da Consciência Negra. De fato, foi realmente isso que aconteceu, já que muitas pessoas acabaram indo embora pelo fato de terem percebido que não tinha nenhum debate sobre  movimento negro, racismo e consciência negra no plenário da Câmara de Vereadores. As alunas da Escola Normal foram embora, por exemplo, já que elas perceberam que ali estava acontecendo outra coisa bem diferente do convite que haviam recebido. Essa escola gastou 100 reais para alugar um ônibus para 50 estudantes. Já outros estudantes como os da Escola Estadual Dom Luiz Gonzaga tiveram que prestigiar a entrega do título para a senhora Maria da Penha, embora estivessem ali para prestigiar a sessão especial alusiva ao Dia Nacional da Consciência Negra.
 Assim, diante desse quadro, o prejuízo educacional e ainda financeiro para os estudantes e professores dessas escolas aqui mencionadas merece um registro, visto que muitos não tiveram aulas nesse dia e tiveram que gastar dinheiro do próprio bolso para prestigiar uma sessão especial que não aconteceu. Será que algum dia os Vereadores vão pedir desculpas para essas escolas? Por que não botaram a sessão para acontecer antes da entrega do título de cidadão, para a senhora Maria da Penha?
 Creio que nesses 27 anos de luta do movimento negro campinense fizemos aproximadamente cinco sessões especiais. Nunca tínhamos organizado uma sessão para ser cancelada e remarcada para outra data como os Vereadores fizeram sem nos consultar. Outro erro da Câmara de Vereadores  foi ter rejeitado o feriado municipal para o dia 20 de novembro, pois esse tipo de atitude reforça o racismo. Teve Vereador, inclusive, que alegou que o comércio não podia parar. Outros se posicionaram contra por entender que o Brasil já tem feriado demais. É, pelo que podemos notar, os Vereadores de Campina Grande são defensores de um centro comercial onde impera um violento racismo, visto que são pouquíssimos os negros e negras que conseguem emprego no comércio de nossa cidade.
Realmente, é muita hipocrisia e demagogia de um poder legislativo, tendo em vista que eles tinham  aprovado a criação da Semana da Consciência Negra e de Ação Antirracista este ano. Em síntese, os nobres Edis de Campina Grande desrespeitaram o que eles  aprovaram em debates no plenário da “Casa de Félix Araújo”, assim como fizeram de conta que não sabiam que já é feriado em mais 1047 cidades em todo Brasil. Assim sendo, caiu por completo a máscara da hipocrisia política dos Vereadores daqui, já que o comércio de grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba pode parar, mas o de Campina Grande não pode na visão tacanha dos “representantes do povo”.
Nós do movimento negro temos percebido que várias homenagens são feitas na Câmara de Vereadores, geralmente para personalidades da classe média branca. Posso citar alguns nomes que receberam este ano homenagens recentemente deste poder legislativo. São eles: o Reitor do Mackenzie Benedito Guimarães, o Diretor do IFPB  Cícero Nicássio e o historiador Josué Silvestre,  sendo que este último ganhou uma medalha de honra ao mérito dos Vereadores e os outros dois professores títulos de cidadãos campinenses. O Babalorixá e pernambucano Vicente Mariano que tem mais de 58 anos de iniciação no candomblé jamais foi homenageado pelos Vereadores campinenses. O mesmo posso dizer da umbandista Ivonete do Keto e do conhecido Babalorixá pai Walter da Lagoa, ambos residentes no Bairro de José Pinheiro.  Já pedi para o Vereador Napoleão Maracajá para apresentar essa proposta de homenagear Vicente Mariano no próximo ano, com o titulo de cidadão campinense. Será que essa proposta vai ser aprovada pelos Vereadores algum dia?
Este Vereador do PC do B que é Presidente da Comissão de Direitos Humanos, tem pela frente esse verdadeiro desafio político no encaminhamento dessa minha proposta, proposta esta, que deveria ser prioridade no  mandato dos Vereadores, pois esses representantes do povo não tem feito nada para combater à intolerância religiosa em Campina Grande. Portanto, nada melhor do que começar esse debate dando um título de cidadão a quem de fato tem história para contar, visto que Vicente é negro e cultua os orixás num país racista como o nosso, onde babalorixás e yalorixás já foram presos, torturados, mortos e até enviados para manicômios apenas pelo fato de cultuar seus deuses trazidos da África. Espero que o Vereador Napoleão Maracajá tenha coragem para fazer tal debate, lutando pela aprovação desse título, já que isso seria verdadeiramente um marco na história do povo de santo tão oprimido, perseguido e marginalizado historicamente em nosso município.
Com a palavra, os Vereadores de Campina Grande responsáveis pela maior humilhação que o movimento negro já passou nos seus quase 30 anos de luta pela igualdade racial.

Autor: Jair Nguni- historiador e militante do Movimento Negro de Campina Grande-MNCG.



sábado, 30 de novembro de 2013

I Celebração Tambor N'ativa

O Tambor N'ativa, organizado por nós da Biblioteca do Tambor, obteve sucesso por conta das parcerias que foram firmadas com a Recid, o Sintab, o Thiago Som! A CG Zoo, Escola de Capoeira Afro Nagô e ainda a Universidade Estadual da Paraíba, que temos no Luan Costa (funcionário da UEPB e um dos organizadores do Tambor N'ativa) nossa ponte com essa instituição de ensino. A proposta do evento é a de provocar a comunidade para a importância da cultura e da educação, através de leituras, como fator de transformação da pessoa humana. O evento foi realizado na rua do Juá, a qual estava interditada para passagem de carros e motos! O número de moradores que vieram prestigiar o evento não sabemos ao certo, mas, observando as fotografias ( retiradas por Herbert Oliveira Andrade) expostas a baixo podemos perceber a boa participação da comunidade. Numa celebração repleta de manifestações culturais que raramente tais pessoas tem acesso, bem como na discussão sobre consciência negra! Em tempos que o genocídio da população jovens e principalmente negra, aumenta assustadoramente em nossa estado e também em nossa cidade, considerar a consciência negra como modo de respeitar e exercitar a alteridade entre as pessoas é bastante importante, e foi essa ideia que transmitimos para que cada uma das pessoa s presentes pudessem refletir.

 Livros expostos para leitura!
 Roda de Capoeira. (Escola de Capoeira Afro Nagô)
Moradores e ativista culturais prestigiaram o evento. Em destaque a direita da foto Allan Barros e Petrus Vinícius.
 Muito Samba de Roda
 Sarau Poético! Leitura de Navio Negreiro - Castro Alves.
 Maculele - Escola de Capoeira Afro Nagô.
  Maculele - Escola de Capoeira Afro Nagô.
 Artista convidado: Ruan Galdino, morador do bairro, na companhia de Eduardo Silva, Danilo Panda e Williams Cabral.
 Público Presente!
 O público composto por Crianças, Jovens e Adultos! O Tambor N'ativa não possui distinção nenhuma!
 CG ZOO, Grupo Convidado provocou e alegrou toda as pessoas presentes!
Públicos Jovens do Tambor N'ativa!

Fotografias de Herbert Oliveira Andrade.

Tambor N'ativa


Consciência Negra aos olhos da periferia 

Ação promovida pela Biblioteca do bairro do Tambor reúniu artistas, comunidade acadêmica e moradores em noite cultural com dança, música e literatura.


foto: Herbert Oliveira Andrade



No último dia 20 no bairro do Tambor realizou-se evento em Celebração ao dia da Consciência Negra, em parceria com a Biblioteca Comunitária do Tambor, CUCA (Centro Universitário de Cultura e Artes), UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) Escola de Capoeira Afro Nagô, RECID (Rede de Educação Cidadã), Thiago Som, SINTAB (Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste da Borborema).
Com o intuito de propagar a cultura a arte e sua diversidade o evento iniciou sua atividades com a exuberância e peculiaridade da cultura africana “O Makulelê” (Escola de Capoeira Afro Nagô) Logo após no sarau poético Williams Cabral (Organizador do evento e da Biblioteca Comunitária do Tambor) declamou o poema “Navio Negreiro” de Castro Alves emocionando o público. Por fim as atrações, musicais completaram a noite com muito talento e musicalidade, Ruan Galdino e o Rap do CG Zoo envolveu à comunidade que prestigiou o evento com receptividade e animação. “Um evento como esse é muito importante para nossa comunidade, traz a importância da leitura e do ensino. As próprias atrações culturais, a capoeira, a música ,o sarau poético deram oportunidade das pessoas do bairro que tocam, cantam e declamam, as crianças do projeto -as que participam da capoeira e da biblioteca - gostam bastante e estão desenvolvendo um outro olhar sobre cultura e música”, disse Williams Cabral. Enfatizando a Celebração do Dia da Consciência Negra, outros participantes do evento falaram da influência que a cultura Afro tem na formação dos moradores da periferia. Para Alex Araújo, (ativista cultural e integrante do CG Zoo) “É de máxima importância, porque essa é a real referência que o povo da periferia necessita”, concluiu. Já Edvaldo Batista (Morcego), professor e responsável pela Escola de Capoeira Afro Nagô, fala de sua experiência como educador e propagador da cultura africana. “ A disseminação da cultura o reconhecimento da criança como negra, sua identidade étnica racial e o comportamento e relação entre elas, incentivando o companheirismo e educação reflete nas ações das crianças, já que por meio de nosso trabalho o comportamento das mesma melhoraram com seus familiares, amigos e convívio social”, Ressaltou o instrutor.

reportagem: Poliana Farias

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Arqueólogo

Uma Viagem por museus de sociedades antigas de várias partes do mundo!

Façam uma visita!

http://preteritos.wix.com/arqueologo#!museu-istambul/c17cr

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Tambor N'ativa!


No próximo dia 20 de Novembro, dia nacional da consciência negra, teremos no Tambor uma celebração com muita música, cultura e arte!
Crianças e artistas seguirão em cortejo pelo bairro entoando músicas de capoeira, batuques de Maracatu e coco e muita alegria.
As declamações poéticas terão espaço no Sarau poético aberto para quem quiser participar.
A música fica por conta da CGZoo, grupo de Rap de Campina Grande que decola na cena campinense se consagrando como resistentes da cultura hip hop na cidade! Ainda o som frenético de Ruan Galdino com Wellington Madeira e seu Sax!


O Evento promete uma celebração na qual o respeito e o repudio ao racismo e discriminações serão as principais bandeiras!!





ESTÃO TOD@S CONVIDAD@S!!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

o Dia das Crianças!

Essa data coloca muitas famílias em apuros, pois inseridas nesse sistema de consumo, que não obriga ninguem a comprar, mas quem não compra é excluído e chacoteado em muitos lugares. Na periferia as crianças necessitam de ações sócio culturais nas quais podem ter a oportunidade de ganhar presentes, de divertir-se em uma data que é para as crianças, mas, principalmente para àquelas que podem ir ao shopping gastar dinheiro! Somente isso se torna distração e divertimento. Pensando diferente nós da Biblioteca Comunitária do Tambor decidimos fazer um Quebra Panela e sorteio de brinquedos. Brincadeira bastante divertida e ainda repleta de doces e balas, complementou a alegria da criançada disposta a uma pequena alopração numa tarde morgada de sábado,dia das crianças!
No final da atividade, surgiu até helecoptero de brinquedo!

Roda de Leituras!

Além das rodas de Capoeiras sempre nos encontros na AMT (Associação de Moradores do Tambor), são também realizadas as Rodas de Leituras! inicialmente ocorria na Biblioteca (como ainda acontece), mas percebemos que levando alguns livros selecionados pelas próprias crianças, as rodas iam render mais, assim como podemos observar as imagens seguintes!