sexta-feira, 8 de junho de 2012

Prêmio Agente Jovem de Cultura SCDC finaliza dados do Edital cujo resultado sairá na 2ª quinzena de junho



A Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC) já finalizou os dados do processo de inscrição para o Edital Prêmio Agente Jovem de Cultura: Diálogos e Ações Interculturais. O edital, cujo resultado final dos habilitados e inabilitados será divulgado na segunda quinzena de junho, teve 2.469 (dois mil, quatrocentos e sessenta e nove) inscritos em todo o país. As regiões que tiveram o maior número de  inscrições foram a Sudeste (913) e Nordeste (835). Já os estados que registraram o maior número de inscritos foram São Paulo (416), Rio de Janeiro (272), Bahia (231) e Minas Gerais (172).
O Edital Prêmio Agente Jovem de Cultura: Diálogos e Ações Interculturais  concederá 500 prêmios, no valor de R$ 9 mil cada, a iniciativas culturais já realizadas e concluídas, propostas por jovens agentes culturais de todo o país que tenham entre 15 a 29 anos .
O Prêmio Agente Jovem de Cultura está sendo realizado pelo MinC, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República e os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Saúde (MS). Serão 100 prêmios para a categoria Jovem adolescente (15 a 17 anos), 200 para a categoria Jovem jovem (18 a 24 anos) e outros 200 para a categoria Jovem adulto (25 a 29 anos).
A premiação total será de R$ 5,7 milhões e o concurso terá recursos dos programas Brasil Plural e Cultura Viva, do MinC. Os ministérios envolvidos também concedem apoio financeiro.
As iniciativas culturais poderão contemplar ações voltadas para as áreas de Comunicação, Articulação e Mobilização Cultural, Cultura e Tecnologia, Pesquisa, Acervo e Diálogos Intergeracionais no Campo da Cultura, Formação Cultural, Produção e Expressão Artística e Cultural, Intercâmbios e Encontros Culturais, e Cultura e Sustentabilidade.
Confira aqui as inscrições por Estado
Confira aqui as inscrições por Região
(Redação: Heli Espíndola, Comunicação/SCDC)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ARTIGO: SACRIFÍCIO DE ANIMAIS, HISTÓRIA E RELIGIOSIDADE


Autor: José Luciano Queiroz*

Na cidade de Piracicaba/SP, a Câmara Municipal aprovou um projeto de Lei que proíbe a prática do Candomblé e sacrifícios de animais em rituais de religiosidade, penalizando com o pagamento de multas entre R$ 2.000,00 e 4.000,00 àqueles que descumprirem a suposta lei. Segundo Maurílio Ferreira da Silva, do Movimento Negro Unificado – Campinas/SP, comenta-se, em Piracicaba, que o referido projeto de lei é parte de um movimento denominado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ, que objetiva levar esse projeto a outras cidades de São Paulo além de encaminhá-lo à Câmara Federal por meio de deputados dos PT, PDT, PP, PPS, PTB, PR, PMDB, PRB, PSDB, partidos nos quais se abrigam os vereadores que aprovaram o projeto por unanimidade.
Em Campina Grande/PB, aconteceu o mesmo, com a aprovação de um projeto de lei de autoria do vereador Olímpio Oliveira. Em Piracicaba e em Campina Grande, o projeto ainda não foi sancionado pelos respectivos prefeitos municipais. A justificativa dos parlamentares é a “garantia de vida e bons tratos para com os animais”.
Vamos, então, a alguns contra-argumentos. Primeiro, de ordem jurídica, o projeto é inconstitucional, pois fere ao Artigo 5º da Constituição Federal, no Inciso VI que diz ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e a suas liturgias”. De modo que, o município pode ter autonomia na sua legislação, mas essa autonomia não pode se contrapor a lei maior.
Um segundo contra-argumento é ético, se baseia na noção de cidadania cultural, de convivência com as diferenças, de respeito às diversidades da experiência humana. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, após a catástrofe que se anunciou na primeira metade do Século XX, pensadores Pós-Modernos vem denunciando o paradigma da modernidade racional-instrumental, tido como excludente, de discurso único e de classificações dos seres humanos baseadas em critérios étnico-racial da Ciência Moderna. Contra isso, na segunda metade do referido século, ganhou força os movimentos sociais que primam pela diversidade e pela valorização das identidades marginalizadas durante a Modernidade. Mulheres, negros, gays, lésbicas, ambientalistas, hippies, foram às ruas, gritaram, resistiram e buscaram a construção de políticas afirmativas. O Paradigma Moderno “normalizou” um padrão de comportamento, o homem (macho), heterossexual, cristão, branco, burguês e europeu, “anormalizando” quem não se enquadrasse nesses critérios colonialistas/ocidentalizantes. Portanto, por que continuar, em pleno Século XXI, com a declaração de guerras religiosas contra as crenças de matrizes africanas e indígenas? Por que continuar o discurso colonialista de “satanização” do Outro, o não europeu cristão? Por que ainda essa insistência em um projeto de “aculturação”, de busca pela eliminação das práticas religiosas “estranhas” aos olhos das religiões hegemônicas? Que cidadania é essa que exclui, ao invés de contemplar todas as diferenças?
Terceiro contra-argumento, de ordem histórica. Sacrificar animais, oferecer alimentos, frutas, flores, vinhos e bebidas às divindades, faz parte das mais diversas e antigas religiões e religiosidades da história. No mito sumério do dilúvio, conta-se que Ziuzudra construiu um grande barco que resistira à inundação e a tempestade e, após o sacrifício de um animal, fez-se a reconstrução do mundo. Os hebreus, influenciados por esse mito, também falam de um sacrifício de animal em oferecimento a Deus, realizado por Noé, para a reconstrução do mundo pós-dilúvio. Os egípcios, para agradarem aos deuses e manter o cosmos, sacrificavam animais em oferendas. Os persas, acreditando na luta entre as divindades do “bem” e do “mal”, faziam o mesmo, objetivando auxiliar o triunfo das forças do “bem” durante o Juízo final. Após o sacrifício, a comida era partilhada entre os sacerdotes. A mitologia grega também nos mostra exemplos similares. Em suma: o sacrifício de animais, as orações, as festas públicas, os diversos rituais, variando de acordo com as diversas sociedades e culturas antigas, eram oferecidos às divindades como forma de agradá-los, de buscar a “perfeição do cosmos”, a continuidade da felicidade no além-túmulo e no combate a forças “maléficas”, sempre tidas como perturbadoras da ordem. São apenas exemplos rápidos de algumas religiões mais antigas, que poderão ser aumentados se formos buscar as sociedades pré-colombianas e africanas. Entretanto, esses breves exemplos nos permitem mostrar que as práticas de sacrifícios de animais são tão antigas quanto à própria história e fazem parte do patrimônio cultural dos seres humanos. Na Idade Média e Moderna, essas práticas são “diabolizadas” pelo Cristianismo associadas, discursivamente, às superstições, bruxaria, magia, o que fez valer o acionar da máquina da Inquisição.
O povo do santo sacrifica animais, oferece alimentos, bebidas, cigarro, oferecendo aos orixás, exus, pombas-gira, caboclo, mestre, preto velho… O corte de animais e o oferecimento de alimentos e bebidas variam de acordo com cada entidade e ocorre, geralmente, nas festas dos santos ou nos toque de jurema. É uma prática herdada dos ensinamentos trazidos nas caravelas pelos escravos africanos, porém, combatida pelas ordens religiosas, a exemplo dos Jesuítas aqui no Brasil. Marginalizada e “demonizada” pelo projeto cristão de colonização, conforme nos mostra, com larga competência, a historiadora Laura de Mello e Souza. No Império e na República, a repressão e o preconceito continuou como no caso de invasão de terreiros pela polícia na época do governo Vargas.
Diante do exposto, percebe-se o quanto os projetos votados, atualmente, em Piracicaba e Campina Grande são: juridicamente, inconstitucional; politicamente, antiético para com a diversidade humana; e historicamente, retroativo, indo ao encontro das práticas repressivas e criminalizantes do passado, esquecendo o legado cultural positivo das alteridades no tempo/espaço.
Quanto à justificativa, acho que é uma bela cartada política de parlamentares afeitos ao paradigma judaico-cristão, que, utilizam o discurso do “protecionismo” aos animais para violentar, simbolicamente, os humanos. A propósito, gostaria de citar um internauta de Piracicaba: “Acabem c/ o Rodeio anual que há aí, chega de ‘sertanojo’ e judiação de bois. Fechem as churrascarias, ninguém vai morrer se não comer medalhão c/ bacon. Fechem a Esalq, que usa cobaias animais. Por fim, fechem as fazendas de gado de corte (já escrevi como animais morrem sob tortura), que tem de monte na região. Se puderem, fechem a cidade, que é um grande desperdício de água e luz (tenho família aí, sei como é)” A questão é a seguinte: não será mais o combate ao Candomblé e a Umbanda do que a proteção aos animais que esses projetos almejam? Por que, se a justificativa for essa, de fato, é preciso fechar matadouros e restaurantes, vigiar cardápios, fechar grandes e pequenas fazendas que se destinam ao criatório para abastecer o mercado de carnes, proibir vaquejadas, proibir sacrifício de galinhas para os pavilhões das festas de padroeiros, proibir que padres recebam doações e façam leilões de bodes e carneiros em festas religiosas… E haja projeto de lei!!!!!!!!!!
Por que não se legisla combatendo a corrupção que permeia as religiões e punindo seus praticantes? Por que não se legisla por uma educação que prime pela convivência humana com as diferenças? Por que, juntamente, com os animais, não se legisla em favor dos humanos? Será que esses vereadores vão deixar de comer carne, de usar sapato de couro, de comer uma galinha de capoeira no final de semana? Ou a dor da morte é diferente, entre o morrer para o mercado e o consumo privado e o morrer durante rituais religiosos?

*Doutorando em história pela UFPE;Mestre em história pela ufpb;Especialista em história do Brasil pela UEPB;Professor assitente da UAEDUC/ CDSA/UFCG;Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri;Membro da diretoria da associação de professores de história (ANPUH-PB);Atuou como diretor de cultura do municpio de Taperoá e professor da rede pública estadual em Parari, Assunção e Taperoá;Foi professor substituto da UEPB, campus de Campina Grande;Autor de vários livros sobre história local, história política, ensino de história e teoria da história.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Era uma vez...

Na última sexta feira ocorreu a primeira edição do "Contaçao de Histórias no Tambor". A atividade tiveram como contadoras Camila e a professora Eliane Lisboa, ambas do grupo de teatro Arupemba. Compareceram na BCT várias crianças do bairro que se admiraram e prenderam seus olhos na fantasia e das histórias contadas, alguns adultos também estiveram presentes.
A ideia é programar outras atividades desse tipo que incentiva e promove a leitura, em breve daremos notícias de mais atividades, entre elas a segunda edição do "Tambor de Cinema".




Algumas histórias registradas:

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Contação de Histórias

A Biblioteca do Tambor juntamente com o grupo teatral Arupemba realizará uma Contação de Histórias voltado para Crianças e adultos do bairro. A atividade terá início a partir das 18h30 desta sexta feira, dia 18.
Serão ao todo  seis histórias contadas pelo grupo Arupemba que tem como diretora a Professora do departamento de Arte e Mídia da UFCG, Eliane Lisboa. A proposta é de movimentar o espaço BCT com o intuito de incentivar a leitura e entreter os visitantes com muita arte teatral, e ainda o de divulgar os trabalhos do Arupemba.

As História sao as seguintes:

O Leão e o Rato
O Caracol
A lenda da Mandioca
O índio incendiário
A Carne da língua
e por fim Hassan, o esperto.

Estão Todas (os) convidadas (os)

Biblioteca Comunitária do Tambor

Intervenção Urbana: “Com Roldão Mangueira Nem Pedro Afunda"





A partir do dia 13 a 20 de maio, o Açude Velho de Campina Grande será palco da intervenção “Com Roldão Mangueira nem Pedro Afunda”, realizada pelo Coletivo Mídias e Ágora – Produção e Execução de Projetos e assinada pelos artistas Jarrier Alves e Nivaldo Rodrigues.
   A ação faz parte do projeto “A Cidade em Estado de Arte: Intervenções Urbanas”, que conta com o apoio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC) Augusto dos Anjos, e consiste na fixação de uma passarela de 150 metros, no maior cartão postal da cidade, que trará a possibilidade dos cidadãos campinenses observarem este espaço de um novo ângulo.
   A intervenção é uma homenagem ao movimento messiânico do fim da década de 70, Borboletas Azuis, que era liderado por Roldão Mangueira.  
   O projeto contempla diferentes perspectivas, com ricas possibilidades advindas da arte, tais como: 1) educação ambiental, 2) práticas artísticas diversas 3) reflexão sobre a história local e 4)cidadania cultural, este último traz a proposta de um abaixo-assinado visando à revitalização das águas do Açude Velho (http://peticaopublica.com.br/?pi=P2012N24431).
   Fazem parceria com o projeto o CREA/PB e o Corpo de Bombeiros que estará de prontidão durante a realização do evento. Para a travessia os participantes portarão coletes salva-vidas e solicita-se que venham calçados com tênis.

Comentários podem ser postados no blog: www.coletivomidias.blogspot.com.br ou enviados para o e-mail: coletivomidias@gmail.com

ENTRADA NO CUCA – CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CULTURA E ARTE
Abertura domingo 13/05/2012 às 16hs até às 20hs.
De Segunda (14/05) à Domingo (20/05) às 7h – 10h (manhã) 16h-20h.

Novo blog do CUCA CAMPINA GRANDE



Acompanhe o que acontece no CUCA CAMPINA GRANDE em um novo blog = www.cucacampina.blogspot.com

Quilombos do século 21


A abolição da escravatura no Brasil, em 13 de maio de 1888, não significou o fim das comunidades que reuniam os negros fugidos das senzalas. Pelo contrário.
Libertada num país que não era o deles e ainda muito preconceituoso, boa parte dos ex-escravos se amontoou em quilombos - alguns organizados desde o período de opressão, outros formados depois da abolição.
Diversas comunidades descendentes dos quilombos daquela época, batizadas de quilombolas (do cruzamento de canhambora, "escravo fugitivo" em tupi-guarani, com kilombo, "cabana", em quimbundo, língua africana), hoje lutam com fazendeiros e mineradores não mais pela liberdade, mas por terras onde viver.
Um dos conflitos mais conhecidos é o da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, antigo entreposto do tráfico negreiro. O lugar é disputado com a Marinha, que mantém por lá uma base naval que serve de centro de treinamento de militares.
Ano passado, outro entrevero virou notícia. Na época, 300 moradores de quilombolas do Pará bloquearam uma estrada de acesso a um canteiro de obras da Companhia Vale do Rio Doce, na região de Moju.
Eles se rebelaram porque a empresa não teria entregado uma série de projetos prometidos à população para compensar os prejuízos ambientais causados pela construção de uma tubulação para o escoamento de bauxita.
Especialistas em causas negras apontam a lentidão do governo em reconhecer o direito à terra dos remanescentes de quilombos como a maior causa dos conflitos atuais.
"Os direitos dos índios são reconhecidos desde a época colonial. Mas os das quilombolas apareceram pela primeira vez apenas na Constituição de 1988", diz Lúcia Andrade, coordenadora-executiva da Comissão Pró-Índio de São Paulo, organização que trabalha na defesa do direito territorial das comunidades indígenas e negras no Brasil.
"O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) só começou a se preparar para a questão recentemente, com a contratação de antropólogos", afirma Lúcia.
Do lado do governo, o desafio é grande. Os grupos se organizaram de modos diferentes ao longo do tempo, passando por fugas, ocupação de terras livres e isoladas, doações, recebimento de terras como pagamento de serviços prestados ao Estado, heranças e até pela simples permanência nas grandes propriedades nas quais seus parentes trabalhavam.
Como se não bastasse, eles abrigam também índios e mestiços. Além disso, entre as comunidades há as que têm realmente origem escrava e outras que são apenas formadas por negros excluídos que se aglutinaram em núcleos.
Se fossem reunidas todas as áreas que se auto-intitulam quilombolas, elas formariam um território do tamanho da Itália ou do estado de São Paulo - são mais de 30 milhões de hectares habitados por uma população estimada em 2,5 milhões de pessoas. Elas estão espalhadas por mais de 800 municípios em todos os estados, à exceção do Acre e de Roraima.

Mais no site:
Conheça algumas histórias, as conquistas e os desafios de quilombolas que se organizaram nas várias regiões do Brasil. (www.aventurasnahistoria.com.br)